A nova época desportiva teve início no passado mês de Agosto e nem por haver uma grande percentagem de famílias de férias que as águas estiveram mais calmas.
Na APDA, finalizamos a época de 2025/26 celebrando o nosso décimo aniversário. Dez anos.
Dez anos de crenças inabaláveis. Dez anos de trabalho com uma certeza – podemos demorar mais dez anos a cimentar o lugar dos adeptos na mesa das decisões, mas estes dez já cá estão – o pontapé foi dado, e nós já demos provas que não há outro caminho sustável para as bancadas em Portugal que não passe por esta representatividade que fizemos nascer. Muita coisa pode mudar, mas o mote está dado.
Encaramos os próximos anos com uma esperança de que hoje, que a nossa voz é conhecida e reconhecida, que possa ser efectivamente escutada e tida em consideração – que, cada vez que sejam colocados os lugares nas mesas de decisão, se lembrem que – devem ouvir os adeptos. O tal “structured dialogue” tão mencionado na Convenção de St. Denis mas parece que tarda em chegar – pese embora Portugal já a tenha ratificado em 2019.
Imediatamente ao período em que celebrámos esta ocasião, viemos a ser informados que – após muito trabalho e muito diálogo com a Liga Portugal, foi finalmente abolida a nominalidade dos bilhetes para as ZCEAP – já em vigor nesta época.
Consideramos, e sempre considerámos que, para alterar este nó cego em que nos encontramos com a ZCEAP, seria sempre necessário começar pelo pilar mais básico de todos – porque presume a Liga que apenas são necessários bilhetes nominais para as ZCEAP? Não será essa uma falta questão? Considerar que existem efectivamente adeptos de primeira e outros de segunda?
Foi neste sentido que sempre manifestámos a nossa opinião – afinal de contas, os bilhetes nominais acabam por ser “mini” cartões de adepto, bem vistas as coisas.
E pese embora esta novidade possa ter passado ao lado das maiores notícias desta época desportivo, é importante. É importante pelo posicionamento que se assume. É importante pelo precedente que cria. É importante porque posiciona os adeptos em patamares de igualdade num recinto desportivo – independentemente do lugar onde se escolhem sentar.
É importante, porque sem ela, o restante caminho que culminará pela eliminação legal das ZCEAP se torna agora, visível.
Martha Gens