Inclusão para que te quero
Nos últimos anos, a palavra “inclusão” está presente em todo o lado, todos os dias. Seja no sector empresarial, seja no sector público ou até em campanhas que se vão vendo nesses festivais país fora.
E claro, o futebol não podia ficar de fora. Começámos a ouvir que o futebol tem de ser para todos, começámos a falar de salas sensoriais e audiodescrições. Começámos a querer perceber que tipo de adeptos temos no estádio e em que condições estão esses mesmos adeptos que, tendo ou não, uma deficiência, vão à bola, estando, ou não, a ver o jogo na sua equipa da casa.
Do falar à prática, a história é outra. Muitos são os estádios sem condições em Portugal para os adeptos perfeitamente saudáveis, quanto mais para os que têm uma deficiência motora. E quem fala dos estádios, fala dos pavilhões, das casas de banho, dos bares e da falta de sensibilidade que se tem quando se quer parecer muito inclusivo e muito preocupado, e na prática acaba por se esquecer desse processo.
Sabemos todos que estamos a anos-luz daquilo que se passa por essa Europa fora e prova disso é que são muito poucos os adeptos que o sabem, mas em Portugal, apenas os 3 grandes têm essa preocupação e equipas especializadas para o adepto que é entendido como uma pessoa de mobilidade reduzida.
“Faltam rampas”, não são só rampas e palanques que faltam. Falta colocarem-se no lugar de quem gosta de estar presente e que não vai por falta de condições.
“Faltam bom acessos”, não são só acessos, falta boa vontade. Falta perceber que se para o adepto comum, faltam condições, para todos aqueles que têm necessidades especificas faltam as mesmas condições de todos os outros e todas as especificidades que dizem respeito a alguém que tem limitações físicas, motoras ou mentais.
“Faltam obras!”, mais do que obras, falta o querer perceber o que está em falta. Enquanto não se perceber de forma direta e clara que os que escolhem e decidem devem ouvir quem está, quem vai e quem gostava de ir e não consegue, não adianta.
Fazem-se leis, decretos de lei, alterações à lei e até projetos inclusivos e é tudo muito bonito, no papel, nas redes sociais, mas quando alguém com deficiência quer ir à bola as coisas são mais complicadas. “O estádio é alugado, não é nosso”, os adeptos com limitações podem ir a Arouca, por exemplo, mas não podem levar adereços, porque, por terem algo que não desejaram ter, não podem estar na bancada visitante.
Não quero ser mais que ninguém, não quero ter mais que ninguém, o que se pede é que deixem de me tentar “incluir” em algo do qual eu já faço parte. Eu faço parte do mundo do futebol, não preciso de ser incluída, preciso de ser ouvida, preciso de ter condições que me permitam ir e que passem à prática de que o futebol para todos não está limitado a acessos.